CÚPULA DE LÍDERES DO CLIMA: MERCADO BILIONÁRIO

Os EUA reiniciaram o “surfe-na-onda” da bioeconomia e economia verde, e de quebra reassumiram a liderança mundial, abrindo o comércio agora com um plano econômico de investimento e colheita bilionária, deste seguimento de mercado, que muitos ainda insistem em não explorar.

Finalizando os primeiros quatro meses de gestão, o presidente dos EUA Joe Biden, coordenou dias 22 e 23.04.2021, de forma on-line a Cúpula de Líderes do Clima, onde 40 líderes mundiais fizeram suas declarações.

Cada presidente ou primeiro ministro teve apenas 3 minutos cada, para afirmar seus compromissos com a mitigação com a mudança climática. No entanto alguns aproveitaram o holofote mundial para atrair investidores, quando anunciaram como pretendem ou que já tem inserido nas suas matrizes econômicas ações concretas de investimentos no mega milionário mercado da economia verde.
Economia verde é uma economia na qual a finitude dos recursos naturais, os serviços ecossistêmicos e os limites planetários dados pela ciência são levados em consideração e constituem marcos claros dentro dos quais as atividades de produção, distribuição e consumo poderão ter lugar. Numa economia verde os serviços dos ecossistemas são considerados nos processos de tomada de decisões, as externalidades ambientais são internalizadas e questões como mudança do clima, escassez dos recursos naturais, eficiência energética e justiça social são elementos centrais e orientadores do comportamento dos agentes. (DIRUR/IPEA)

No meu artigo de 27/02/2021, informo que “as estimativas para as vendas atribuíveis à bioeconomia brasileira em todo o mundo totalizaram, em 2016, o valor de US$ 326,1 bilhões. No Brasil, em 2016, o valor das vendas atribuíveis a sua bioeconomia alcançou US$ 285,9 bilhões. O valor calculado de US$ 285,9 bilhões para o conteúdo da bioeconomia nas atividades econômicas do país equivalia a 13,8% do PIB. Os dados iindicam que a fabricação de produtos alimentícios foi a atividade que mais absorveu o valor oriundo do setor primário: suas vendas atribuíveis à bioeconomia totalizaram US$ 65,2 bilhões.” Veja matéria completa em https://agazetadoamapa.com.br/coluna/879/os-numeros-e-desafios-da-bioeconomia.

São Paulo possui o maior e mais diversificado mercado de economia verde do Brasil. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2019, da Secretária de Trabalho do Ministério da Economia (ME), são 147 mil empresas que atuam no setor, empregando 1,4 milhão de pessoas no Estado, representando quase um 1/3 dos empregos verdes do País. É um verdadeiro ecossistema de empreendimentos sustentáveis.

São Paulo incorporou o tema da economia verde em sua agenda política e empresarial, e criou leis vanguardistas, regulamentou os resíduos sólidos (Lei Estadual nº 12.300/2006) e mudanças climáticas (Lei Estadual nº 13.798/2009). Tais medidas abrem caminhos para a prospecção de novos negócios, uma vez que criam demandas específicas como, por exemplo, a necessidade de investimentos em transporte sustentável.

Para aumentar os recursos financeiros dos municípios na implementação de políticas de preservação ambiental, em 2021 foi promulgada a lei do ICMS ambiental. A nova lei reorientou o repasse dos valores da arrecadação do ICMS para os municípios. O percentual de repasses destinados ao meio ambiente dobrará até 2024.

Estimativa das Secretarias estaduais de Desenvolvimento Regional e Fazenda aponta para transferência de mais de R$ 5 bilhões, ao longo dos próximos dez anos, aos municípios que se empenharem na preservação ambiental e na adoção de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

O Estado está abocanhando grande fatia do mercado potencial para captação de energia solar e pequenas centrais hidrelétricas espalhadas pelo território, além de contar com a produção de componentes para aerogeradores, destinados a aproveitar a grande capacidade de geração de energia eólica do País.

A Cúpula de Lideres do Clima, já é um preparativo para a COP 26. Nesta nova reunião mundial, deve ser ratificado, que as emissões de CO2 têm que cair 45% até 2030, segundo os compromissos da comunidade internacional pactuados na COP 21 cinco anos atrás, em Paris. A COP 26 (A Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que ocorrerá de 01 à 12.11.2021 em Glasgow), é extremamente importante porque representa uma oportunidade para os países se organizarem para implementar uma estratégia de mitigação das mudanças climáticas. Com a assinatura do Acordo de Paris em 2015, cada país apresentou compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, desta forma, limitar o aumento das médias de temperatura do planeta a no máximo 1,5 °C.

‬Como falou o Presidente Joe Biden, não se sabe o tamanho desse mercado e tem empresas que ainda nem surgiram e tão pouco novos modelos de negócios, mas que vão gerar empregos. O mercado futuro está aqui no presente. [email protected]